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17 de dez de 2015

ARTIGO: O Diamante Degolado

Artigo publicado na Revista Pássaros Exóticos, em 2014.

A espécie

Olá leitores da Revista Pássaros Exóticos! Nesta edição falaremos sobre um pássaro exótico bem peculiar, um pouco desconhecido da maioria das pessoas que não frequentam as exposições: o diamante degolado (Amadina fasciata).

Assim como a maioria dos Passeriformes exóticos criados no Brasil, o degolado pertence à Família Estrildidae, a mesma dos goulds, mandarins, manons, bavetes, etc. Sua área de distribuição natural é o continente africano, com quatro subespécies, a saber: Amadina fasciata alexanderi (Neumann, 1908), Amadina fasciata contigua (Clancey, 1970), Amadina fasciata fasciata (Gmelin, 1789) e Amadina fasciata meridionalis (Neunzig, 1910). S uma espécie com status de conservação pouco preocupante globalmente, mas com problemas de conservação em alguns lugares na África, fez com que a CITES a incluísse no anexo III, levando a espécie ao anexo B das Instruções Normativas 03/11 e 18/11 do IBAMA.

Perto dos seus parentes australianos, é considerada uma ave com bom tamanho (aproximadamente 12,7 cm), com a base de sua coloração em melaninas (eumelanina e pheomelanina) e apenas uma faixa lipocrômica vermelha percorrendo seu pescoço, dando origem ao nome degolado. Aliás, esta faixa é o dimorfismo sexual da espécie, presente somente nos machos.

Alimentação

Como os demais estrildídeos, os degolados possuem a alimentação à base de sementes, utilizando-se a mistura tradicional para exóticos, com base em painço e alpiste, além de uma boa farinhada. Pode-se oferecer também coxos com alimentação extrusada, como um complemento às sementes. Durante a época de criação, deve-se oferecer também proteína animal através das larvas de tenébrio.

Reprodução

Ave de temperamento dócil, é justamente na época de acasalamento que os degolados tornam-se mais hostis com as demais aves, em um processo de defesa de territorialidade. Portanto, recomenda-se que não as crie em colônia com sérios riscos a aves de menor porte como star finch, por exemplo. O ideal mesmo seria manter os casais separados cada qual em sua gaiola.

A reprodução pode ser tentada em gaiolas criadeiras para canários belgas (gaiolas argentinas), com o ninho em formato de caixa. Segundo muitos criadores, este é um dos segredos, os ninhos com melhor aproveitamento são os retangulares usados em criação de periquitos australianos comuns, e não as caixinhas comumente usadas nas demais espécies de exóticos. Deve-se oferecer material para a confecção do ninho já dentro do próprio, pois os degolados podem não levar os mesmos do fundo da gaiola para lá.

A postura é de aproximadamente quatro a cinco ovos com tempo de incubação de treze dias, estando independentes por volta do primeiro mês de vida até os cinquenta dias. Os degolados não costumam tratar dos próprios filhotes, mas possui mais casos de criação com os próprios pais do que os goulds, entretanto, o repasse dos filhotes para amas (usa-se manons ou calafates) é muito mais complicado em função da peculiaridade de seus filhotes nascerem com o tom da pele na cor negra extremamente forte, gerando repúdio por parte dos pais adotivos. Caso o amigo criador tenha casais de amas que criam facilmente as crias de degolados, cuidem bem deles e veja se seus descendentes também serão bons criadores de degolados para formar uma linhagem para tal.

Mutações

Na nomenclatura oficial da OBJO, o degolado divide o sub-grupo 6.02 com o seu parente congênere Amandine (Amadina erythrocephala), com seis classes no total, mas somente as duas primeiras são exclusivas do degolado (EX60201 – Degolado Fêmea e EX60202 – Degolado Macho). Possíveis mutações já definidas para ambas as espécies concorrem nas duas últimas classes. E as mutações já existem, são elas:

Cor
Genética
Padrão Selvagem
Dominante
Canela
Sexo-ligado
Albino
Autossômico recessivo
Opal
Autossômico recessivo
Gola Laranja
Autossômico recessivo

Considerações finais

Os diamantes degolados são pássaros sem o chamativo colorido, mas possuem o desenho das penas em um padrão interessante, com o sobressalto da gola vermelha dos machos. Em suma, são aves bonitas, mas não atrai o popular, não havendo interesse em pet shops, pois perdem para os coloridos goulds e mandarins, acarretando em baixo valor de mercado. Em termos de saúde, são bem resistentes, não demandando maiores cuidados, somente o básico como noite de sono tranqüila e evitar correntes de vento. Quaisquer sinais de que algo não vai bem com a ave, recomenda-se procurar a ajuda de um veterinário especializado.

Mas é uma espécie pouco criada, talvez pela dificuldade de se conseguir amas que aceitem suas crias. Tem criador que acaba apelando para a alimentação manual dos filhotes pelo fato de ninguém querer alimentá-los (próprios pais e as amas-secas). Por tal motivo, muitos o consideram mais difíceis de criar do que os goulds e bavetes, não os indicando aos criadores iniciantes.

O resultado disso é que quase não se vê degolados, tanto em feiras livres quanto nas exposições. De acordo com os resultados analíticos do campeonato brasileiro de 2013, somente 5 criadores participaram com degolados no grupo dos exóticos (16% do total de criadores de exóticos que participaram) e foram apresentadas 18 aves, 10 exemplares no individual e 8 em quartetos, com exatamente 50% para fêmeas e 50% para machos (apenas 1% de todos os pássaros exóticos expostos). Já em 2014, 4 criadores inscreveram somente 11 aves (queda de 38,9% em relação a 2013), sendo 04 fêmeas e 07 machos, todos na categoria individual, isto é, nenhum quarteto inscrito.

Um abraço e até a próxima!!!

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