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18 de ago de 2016

ARTIGO: Os Diamantes Bavetes

Artigo de minha autoria publicado na Revista Pássaros Exóticos

As espécies

Olá amigos leitores da Revista Pássaros Exóticos! Nesta edição continuamos juntos e dessa vez, para falarmos de mais três espécies de Passeriformes exóticos: os Diamantes Bavetes. Sim, está no plural pois são três as espécies de bavetes, todas originárias da Austrália, da família Estrildidae (a mesma dos mandarins, goulds, manons, etc) e também descobertas pelo famoso ornitólogo John Gould, aproximadamente em 1837.

São aves lindas, que vivem nas regiões de savanas e matas abertas da Austrália, sendo criadas mundo afora por criadores apaixonados por suas cores neutras, com desenhos melânicos bem marcados (eumelanina negra e pheomelanina), destacando-se o babador negro que deu origem ao seu nome (bavete é babador em francês). Estão muito próximas filogeneticamente dos diamantes mandarins, tendo este último passado por revisão taxonômica, tornando-se, para muitos autores, congênere dos bavetes, deixando de ser Taeniopygia guttata para ser Poephila guttata. Se observarmos bem, mandarins e bavetes são aves bem parecidas (atentem aos bicos e pés!) e de fácil hibridação.

Então, vamos iniciar falando da primeira espécie, o bavete de cauda curta (Poephila cincta). Esta espécie é originária da região nordeste da Austrália, possuindo três subespécies, a saber: Poephila cincta atropygialis, Poephila cincta nigrotecta e Poephila cincta vinotinctus.


Apesar de ser classificado como espécie de status pouco preocupante pela Red List da IUCN, estudos indicam um declínio em suas populações originais, principalmente em função da perda de habitat por alterações humanas na natureza. Provavelmente por isto, e ao fato de pertencer ao anexo II da CITES, ocasionou-se a saída da espécie da classificação doméstica para a semi-doméstica (Anexo A da IN 18) perante a legislação brasileira. Duas são as características diagnósticas desta espécie: a cauda curta e o depósito definitivo de eumelanina negra no bico, permanecendo as patas avermelhadas. Este bico escuro dá ao bavete de cauda curta a “cara” de eterno filhotão.

A próxima espécie a ser mencionada é o bavete de cauda longa (Poephila acuticauda), ave originária do norte australiano, com uma população selvagem em considerável equilíbrio (status conservacionista pouco preocupante), sendo descrita como uma ave comum para a região. Entretanto, a espécie também configura na lista dos semi-domésticos das INs 03 e 18 do IBAMA.


Existem duas subespécies, a Poephila acuticauda acuticauda, que possui o bico amarelo (lipocromo amarelo) e a Poephila acuticauda hecki, com o bico na cor vermelha (lipocromo vermelho). Suas duas características diagnósticas, que distingue esta espécie da anterior, são a ausência do depósito melânico no bico após a ave está adulta, e a cauda bem mais longa em função de duas rectrizes compridas no meio da mesma, dando-lhe um longo filete.

Um cuidado que todo criador deverá ter é nunca, jamais, acasalar as duas subespécies entre si. Além de se perder a pureza genética, gerará aves com o bico laranja (presença dos dois lipocromos), ave totalmente desvalorizada.

E por último, temos a única espécie de bavete, sem ter propriamente um bavete (babador). Trata-se do bavete mascarado ou bavete masquê (Poephila personata). Esta espécie também habita o norte da Austrália, com sua população também aparentemente estável e com status de pouco preocupante na lista vermelha da IUCN. Mas, assim como as duas espécies anteriores, encontra-se no anexo A das instruções normativas.




Como o nome da espécie já diz, ao invés do babador característico das espécies anteriores, esta possui uma máscara eumelânica negra que cobre desde a base do bico até os olhos e um bico onde é depositado lipocromo de cor amarela.

Também possui duas subespécies, a saber: Poephila personata personata, com a máscara larga, transpassando a linha dos olhos e a Poephila personata leucotis, com a máscara curta, sem ultrapassar a linha dos olhos.


Alimentação
Para as três espécies, a alimentação se constitui a mesma dos demais granívoros da família, como os mandarins, goulds, manons etc. Complementa-se a alimentação com uma boa farinhada e ração extrusada, ao gosto do criador.

Reprodução
Criadas em cativeiro há bastante tempo, são aves que se reproduzem relativamente bem (o bavete mascarado é o mais complicado na reprodução), podendo-se criá-los em colônia ou em casais individuais, cada qual em sua gaiola criadeira, tipo argentina (a mesma utilizada para a criação de canários), utilizando-se o famoso ninho caixinha/cubo, de aproximadamente 15 cm de lado.

Como são aves dóceis, colônias mistas com outras espécies de pássaros poderão ser montadas. Entretanto, mesmo constituindo-se bandos na natureza, problemas poderão ocorrer, principalmente na época de reprodução, pois os bavetes podem apresentar certo nível de hostilidade entre si, não podendo-se ter um grande número de indivíduos em um único viveiro.

Lembrando-se também que há o risco do interesse interespecífico de um bavete com outra espécie de estrildídeo (como outra espécie de bavete ou um mandarim, por exemplo), levando a geração de híbridos.

O dimorfismo sexual se dá pelo babador do macho ser ligeiramente maior e mais largo do que das fêmeas. Tal diferença é mais marcante na espécie de cauda curta do que na longa. Já na mascarada, o dimorfismo se dá também pela máscara da fêmea ser menor, mas a diferença é praticamente imperceptível. Via de regra, não é fácil sexar os bavetes pelas cores. A saída segura é a sexagem laboratorial ou a comportamental, isto é, somente os machos cantam.

Como muitas das espécies australianas, que aproveitam os curtos períodos de fartura alimentar que vem após as monções, em função da constância alimentar em cativeiro, os bavetes podem se reproduzir praticamente o ano inteiro (respeitando-se o limite de três a quatro posturas por temporada), mas seu período reprodutivo costuma ocorrer entre março e outubro em nosso país.
Há relatos de criadores que conseguem criar bavetes sem repassá-los para amas, mas via de regra, utiliza-se os já famosos manons como mães adotivas, para não perdemos filhotes e conseguirmos um número maior de posturas por casal (neste caso, cinco posturas).

Os bavetes põem de cinco a seis ovos, com tempo de incubação de aproximadamente 14 dias. Os filhotes deverão ser anilhados com sete dias (anilhas de 2,5 mm para as três espécies, sendo permitido o uso de 2,7 mm para bavetes cauda longa padrão maior, segundo a OBJO). Com aproximadamente 45 dias, os filhotes já poderão ser separados dos pais (adotivos ou não) e transferidos para voadeiras, onde ganharão músculos e aguardarão a muda de virada de pardo para a cor adulta.

Mutações
Bem, como os amigos já puderam observar nas fotos dos exemplares selvagens das três espécies de bavetes, a cor padrão ou selvagem é formada pela presença de eumelanina negra, pheomelanina e depósito de lipocromo dos bicos e pés (vermelho ou amarelo, dependendo da espécie), além do uropígio branco.

No geral, elas possuem uma carga de eumelanina negra bem oxidada na cabeça e pescoço (formando máscaras e babadores), um “cinto” negro envolvendo a cintura e a cauda negra. Nas espécies de cauda curta e longa, existe uma cobertura de envoltura negra na cabeça, dando uma cor acinzentada na mesma. Tal característica não é vista no bavete mascarado. O corpo de todas as espécies possui uma intensa carga pheomelânica, dando o visual marrom no corpo das aves.
Portanto, as mutações existentes atuaram em cima dos padrões melânicos, ou transformando a eumelanina negra em marrom, ou eliminando a existência da pheomelanina, ou diluindo a presença das mesmas.

Segundo a Ordem Brasileira de Juízes de Ornitologia (OBJO) em seu anuário de 2015, insere os bavetes no segmento exóticos estrangeiros, grupo 5 dividido em 15 classes em concursos, conforme a tabela a seguir:

Código
Cor
Genética

EX 050101
Cauda Curta Ancestral
(Poephila cincta)
Dominante

EX 050102
Cauda Curta Canela
Sexo-ligado recessivo

EX 050103
Cauda Curta Isabel
Autossômico recessivo

EX 050104
Cauda Curta Acetinado
Sexo-ligado recessivo

EX 050105
Cauda Curta outras mutações e combinações
x

EX 050120
Cauda Longa Ancestral
(Poephila acuticauda hecki)
Dominante

EX 050121
Cauda Longa Canela
Sexo-ligado Recessivo

EX 050122
Cauda Longa Isabel
Autossômico Recessivo

EX 050123
Cauda Longa Acetinado
Sexo-ligado Recessivo

EX 050124
Cauda Longa Albino
Sexo-ligado Recessivo

EX 050125
Cauda Longa Cinza
Autossômico Recessivo

EX 050126
Cauda Longa Bico Amarelo Todos
(Poephila acuticauda acuticauda)
x

EX 050127
Cauda Longa outras mutações e combinações
x

EX 050140
Mascarado
(Poephila personata)
x

EX 050141
Mascarado outras mutações
x



Com exceção do bavete mascarado, as demais espécies apresentam mais mutações do que a nomenclatura acima exposta, como por exemplo: bavete cauda longa topázio e arlequim; bavete cauda curta cinza e arlequim.

Todas as mutações apresentadas para o bavete cauda longa de bico vermelho, poderão ser encontradas na subespécie de bico amarelo. Entretanto, os criadores brasileiros e europeus tem preferência em trabalhar as mutações no bico vermelho, pois esta subespécie costuma apresentar na cor selvagem, marcações mais nítidas e fortes nas cores.

E a título de curiosidade, ao se acasalar as mutações canela e Isabel entre si, nascerão bavete padrão normal (selvagem), exatamente igual ao se acasalar calafates canelas e isabéis entre si.

Considerações Finais
As espécies de bavetes são aves muito bonitas, todas com nuances melânicas que dão às aves diversas cores que atraem criadores em todo o mundo. São aves com passaporte carimbado nos campeonatos brasileiros de ornitologia, tendo aves classificadas nas três últimas edições do CBO.

Algumas classes não foram classificadas desde 2013, como o bavete cauda curta Isabel, cauda longa albino e o cauda longa cinza, por exemplo. No outro lado da moeda, algumas classes estiveram sempre presente, como os caudas curtas normais e canelas, caudas longas normais e canelas e o mascarado.

E as classes normais das três espécies também foram as únicas que tiveram nos três anos os cinco indivíduos classificados no brasileiro e o bavete mascarado foi a única espécie com quartetos classificados nas três edições. Tudo isto demonstra o interesse das formais ancestrais dos bavetes pelos criadores brasileiros.

Em 2014, 77 aves foram apresentadas no brasileiro, sendo a espécie mascarada a campeã, com 23 pássaros, seguida da cauda longa ancestral com 17.

Bem amigos, era isto que queríamos escrever sobre estas três magníficas espécies de pássaros exóticos, chamadas de bavete. Desejo aos amigos que já as criam um enorme sucesso em suas criações e àqueles que desejam criá-las, que vão em frente e iniciem seus plantéis com aves de criadores idôneos, com aves anilhadas, conforme as IN 03 e 18.

Um abraço e até a próxima!!!

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