Sejam todos muito bem vindos!

Sejam todos muito bem vindos!

Criadouro de Aves Domésticas Ornamentais

Olá!!!

Seja bem-vindo ao nosso BLOG. Aqui, você encontrará dados e informações a respeito das aves que criamos, além de outros assuntos inerentes ao mundo da Ornitologia, ciência que estuda as nossas amadas aves.



1 de mar de 2017

ARTIGO: A Rolinha Diamante

Prezados amigos leitores da Revista Pássaros Exóticos, estamos juntos em mais uma edição, desta vez para falarmos de uma espécie de Columbiforme exótico: a rolinha diamante (Geopelia cuneata).

Particularmente, esta é a espécie mais recente que crio, isto é, mais ou menos uns quatro anos. No início da minha vida criando aves, nunca havia me interessado por pombos em geral, apesar de achar as pombas-de-frutas lindas, mas depois de formado em biologia e iniciado meu trabalho com aves silvestres de vida livre, estudando seus comportamentos e ecologia em geral, passei me interessar muito pelas aves da ordem Columbiformes, que representa todas as espécies de pombos e rolinhas que vivem atualmente no globo. Foi quando surgiu a oportunidade de adquirir dois casais de rolinhas diamantes.

Iniciei minha pesquisa para aprender mais sobre esta espécie e como eu esperava, encontrei pouquíssimas informações a respeito de sua criação em cativeiro. Portanto, decidi reunir neste artigo as informações que li em livros e homepages. Espero que gostem!

A espécie

A rolinha diamante ou pombinha diamante é uma das menores espécies de columbídeos viventes na Terra, alcançando de 19 a 21 centímetros de comprimento. Sua distribuição geográfica limita-se à Austrália, onde divide o habitat com outras espécies conhecidas dos criadores, como os periquitos australianos, diamantes mandarins e calopsitas.

A rolinha diamante divide o gênero Geopelia com mais quatro espécies, sendo uma conhecida pelos criadores brasileiros, a rolinha zebrinha (Geopelia striata). Todas as espécies de Geopelia possuem o padrão de desenho barrado em suas asas, com exceção da rolinha diamante, onde o padrão de desenho são pintas brancas sobe as asas melânicas, dando a sensação de que foram salpicados pequenos diamantes sobre as asas.

Esta é a origem do nome popular da espécie diamond dove (rolinha diamante em inglês, língua oficial da Austrália). Já a origem de seu nome científico, vem de terra = geo e cuneata = cor de chão, terra, isto é, uma ave que costuma ficar muito tempo andando pelo chão, atrás de insetos e principalmente, grãos. Portanto, este grupo de rolinhas é chamado em inglês de ground doves, isto é, rolinhas de chão.

A espécie não se encontra ameaçada em seu país de origem, tendo seu status de conservação como pouco preocupante. Somente no Estado de Victória, seu status é considerado quase ameaçada. Aliado ao fato de ser criada há vários anos em cativeiro em diversos países do globo, a rolinha diamante é considerada uma espécie doméstica, como cães, gatos, canários do reino e periquitos australianos, estando no anexo D da instrução normativa nº 18/2011 do IBAMA, para criação de aves exóticas.

Alimentação

Como atualmente todas as minhas aves estão em uma grande colônia (todas as espécies), eu ofereço mistura típica para exóticos, canários e periquitos, além de uma boa farinhada e ração extrusada. Reparo que as rolinhas também vão se alimentar das espigas de milho, jilós e maçãs que ofereço no viveiro.

Como as rolinhas não quebram as sementes como as demais espécies granívoras (as sementes são engolidas direto), deve-se tomar cuidado com o alpiste, pois o mesmo é pontiagudo. Como no meu viveiro existe uma gama de variedades de sementes e outras opções alimentícias, reparo que a rolinhas não vão ao alpiste. Nunca tive problemas com relação a isto.

Não se esquecer de oferecer à vontade areia lavada e a grit para que as mesmas possam ciscar e ingerir minerais que auxiliarão em sua digestão, além de servirem de fonte de cálcio. No meu viveiro é extremamente comum encontrar as rolinhas pelo chão, forrageando e ciscando. Como moro em uma área rural, possíveis insetos, como formigas, também são vítimas das rolinhas.

Reprodução

Ave de temperamento dócil com demais espécies no caso de um viveiro coletivo, podendo-se apresentar comportamento agnóstico em relação a outros indivíduos da mesma espécie, principalmente entre os machos. Quando eu deixei os meus dois casais em uma voadeira, presenciei inúmeras brigas entre os machos, ao ponto de despenarem a nunca um do outro. Já no viveiro, talvez pelo amplo espaço, as brigas ocorrem, porém de maneira mais leve, pois oferece ao perdedor espaço suficiente para fuga.

O dimorfismo sexual fica por conta de duas características: a primeira esta na coloração, onde as fêmeas possuem uma maior carga de feomelanina em suas asas, dando um tom mais amarronzado a elas, ao contrário dos machos que possuem as asas mais acinzentadas. A segunda característica está na espessura dos anéis vermelhos ou alaranjados ao redor dos olhos, onde os anéis dos machos são mais largos (2 a 3 mm) do que das fêmeas (1 mm).

Recomenda-se reproduzir animais com mais de um ano de idade, mesmo as rolinhas diamantes estarem aptas à reprodução desde muito cedo, como periquitos australianos e diamantes mandarins. A precocidade destas espécies se dá em função do ambiente natural na qual elas vivem, onde as condições são bem mais severas (ambientes áridos e semi-áridos) e como os momentos propícios para se reproduzir (fartura de alimento em função de fortes chuvas) podem aparecer a qualquer momento, a chance de deixar descendentes deve ser aproveitada ao máximo, justificando a precocidade.

Os pombos tem como resultado de sua seleção sexual, displays interessantes de cantos e danças. Quem é que nunca reparou os pombos domésticos (Columba livia) cortejando fêmeas ao se andar pelas ruas. No caso das rolinhas diamantes, não poderia ser diferente, onde o macho corteja a fêmea com um ritual que abre e fecha as penas da cauda (rectrizes), lembrando um pavãozinho, sempre acompanhado de um canto típico (coo hoo, coo hoo, ...).

Os columbídeos em geral põem de um a dois ovos bem branquinhos, sendo no caso da rolinha diamante, dois ovos por postura que no 13º ao 15º dia de choco, eclodirão. Os filhotes serão alimentados por ambos os pais (através do famoso leite de pomba) e por volta do 5º ao 7º dia de vida, anilhados com anéis de 3,5mm, conforme a Federação Ornitológica do Brasil (FOB) recomenda para participação em concursos.

Um fato interessante que me chamou a atenção na criação desta ave foi a precocidade que os filhotes deixam os ninhos, por volta do 10º ao 12º dia de vida! Lembro-me que fiquei atormentado com a saída dos filhotes tão cedo dos ninhos, o que me fazia devolvê-los constantemente. Até que resolvi deixar a mãe natureza agir e os filhotes se viravam bem pelo chão do viveiro, onde os pais iam alimentá-los por mais uma semana aproximadamente.

A reprodução em cativeiro pode ser conseguida em viveirinhos de 90 cm, onde se mantém apenas um casal ou em gaiolas de criação com 70 cm de comprimento. Os ninhos utilizados são os de taça, os mesmos que os canaricultores utilizam. Particularmente, no meu antigo criadouro (quarto de empregada em um apartamento) eu coloquei cada casal em uma gaiola de trigamia com quase 80 cm de comprimento, mas de um casal só vinha ovos brancos (prateado x cinza) e do outro (canela prateado x canela) todos os filhotes morriam nos primeiros dias. Tal situação me frustrava com a espécie.

Só quando me mudei para uma casa, onde construir um enorme viveiro para uma colônia mista (oito metros de comprimento), que o único casal que acabou ficando comigo (o que só dava ovos brancos) reproduziu, gerando inúmeros descendentes.

Hoje na colônia tenho uns cinco casais (entre cinzas, prateados e canelas), onde os únicos problemas que vejo neste sistema são: falta de controle genético (o que particularmente odeio) e fêmeas que resolvem por ovos em ninho de outras, gerando uma ninhada de três a quatro filhotes o que acaba resultando na morte do um ou dois ninhegos, tendo em vista que a evolução atuou nesta espécie para cuidar de apenas dois filhotes. Também desconfio que estas fêmeas que dividem ninho foram acasaladas por um mesmo macho, sendo ele o centralizador de ninhos.

Mas estou planejando para 2015 separar no novo criadouro alguns casais em gaiolas para um controle genético maior e testar a hereditariedade das mutações.

Mutações

A cor padrão ou selvagem é a cinza (chamada de blue – azul - em países de língua inglesa), onde o animal é cinza, como uma determinada carga de feomelanina sobre asas salpicadas de branco. As penas longas das asas (rêmiges primárias) são feomelânicas.

Como são criadas em cativeiro desde o século XIX, a rolinha diamante já apresenta mutações cromáticas, como prata, canela, arlequim dentre outras, mas na busca e pesquisa por estas mutações percebe-se que há pouca informação, sendo encontradas nomenclatura somente nas homepages da International Dove Society (IDS) e na American Dove Association (ADA), onde segundo a primeira, existe somente seis mutações na rolinha diamante, sendo as demais cores combinações das mesmas, conforme a tabela a seguir:

Cor
Mutação/Combinação
01
Blue
(Azul)
Cor selvagem
02
Blue White Rump/Tail
(Azul Cauda Branca)
Combinação Blue + white rump/tail
03
Brilliant
(Brilhante)
Mutação
04
Brilliant White Rump/Tail
(Brilhante Cauda Branca)
Combinação Brilliant + white rump/tail
05
Cinnamon
(Canela)
Mutação
06
Cinnamon White Rump/Tail
(Canela Cauda Branca)
Combinação Cinnamon + white rump/tail
07
Ocher
(Ocre)
Combinação Cinnamon + yellow
08
Peach
(Pêssego)
Combinação Silver + yellow
09
Pied
(Arlequim)
Mutação
10
Red
(Vermelho)
Seleção dos canelas
11
Silver
(Prata)
Mutação
12
Silver White Rump/Tail
(Prata Cauda Branca)
Combinação Silver + white rump/tail
13
Snow White
(Branco Neve)
Combinação Silver + yellow + white rump/tail
14
Ultimate Red
(Último Vermelho)
Seleção dos canelas
15
Yellow
(Amarelo)
Mutação
16
Yellow White Rump/Tail
(Amarelo Cauda Branca)
Combinação Yellow + white Rump/tail


Sobre a genética das mutações, a IDS informa que todas são autossômicas recessivas, com exceção da cauda branca, que trata-se de dominância parcial, onde indivíduos heterozigotos (“port. de normais”) teriam apenas as penas do uropígio brancas (white rump), já os indivíduos homozigotos para a mutação, teriam uropígio e cauda branca (white tail). Segue o mesmo raciocínio para o fator escuro na cores das penas dos Psittacidae. Uma outra curiosidade sobre a mutação cauda branca, é que além da perda melânica da cauda e uropígio, também dilui a intensidade melânica das penas e afeta as pintas das asas, aumentando-as de tamanho ao ponto de alguns casos formarem barras ou estrias.

Em termos de concurso no Brasil, nós criadores devemos respeitar a nomenclatura informada no Anuário FOB 2015, a seguir:

SUBGRUPO EX08.01 – POMBA DIAMANTE (Geopelia cuneata)

EX080101 – CINZA
EX080108 – CAUDA BRANCA LINHA CINZA
EX080102 – CANELA
EX080109 – CAUDA BRANCA LINHA CANELA
EX080103 – PRATEADA
EX080110 – ARLEQUIM LINHA CINZA
EX080104 – PRATEADA CANELA
EX080111 – ARLEQUIM LINHA CANELA
EX080105 – PASTEL CINZA
EX080112 – BRANCA
EX080106 – PASTEL CANELA
EX080113 – OUTRAS MUTAÇÕES
EX080107 – ISABEL


Considerações finais

A rolinha diamante é uma ave fascinante pela sua coloração discreta, mas bela e por seu comportamento interessante de se observar, principalmente durante o cortejo do macho pela fêmea. Dá-se muito bem com outras espécies de aves e o seu bater de asas gera um som interessante. No meu viveiro, só pelo som sei quando é uma rolinha diamante voando perto de mim.

É uma espécie de boa longevidade em cativeiro, onde a literatura diz que chega aos 15 ou 25 anos de vida cativa. Já em vida livre não passa dos cinco anos de vida, em função do ambiente árido em que vive e dos possíveis predadores. Sinceramente, vou esperar aguarda aqui no meu criadouro ocorrer esta longevidade toda.

Infelizmente, não foi uma espécie muito presente nos últimos dois campeonatos brasileiros, sendo classificadas aves em apenas cinco classes em 2013 e quatro em 2014, onde as únicas que apareceram em ambos os anos foram as cores cinza, cauda branca cinza e cauda branca prateada. É uma pena, pois se tratando de uma espécie considerada doméstica pelos órgãos ambientais, sua criação poderia ser mais difundida em termos de criação voltada para concursos. Digo concursos, pois a espécie deve ser criada em diversos criadores amadores, melhor dizendo, fora do padrão FOB, pois a mesma é vista com relativa facilidade para venda em feiras livres e em alguns petshops.

Lamento não ser tão popular em concursos e creio que o motivo seja, segundo minha experiência nestes poucos anos e no que pude observar em fotos e vídeos de alguns criadores brasileiros, a criação em colônia ser muito utilizada, inviabilização a seleção e fixação das mutações.

Deve ser por isto que o número de classes caiu do anuário 2014 para o anuário 2015, já de acordo com o novo manual de julgamento de exóticos. Das 20 classes que tínhamos passamos para 13, com a otimização das combinações com a mutação cauda branca em apenas duas classes (linha cinza e linha canela). Se esta nova nomenclatura estive valendo nos últimos dois campeonatos, resultaria em uma classe a menos nas presentes exposições. O motivo de tal redução, penso eu, deva ser a preferência dos criadores pelas caudas brancas, reduzindo o interesse pelas demais. Chego a esta conclusão pois as caudas brancas são as mais vistas nos resultados dos últimos concursos.

E por falar em mudanças na nomenclatura, ao ler o anuário FOB de 2004, tínhamos apenas 10 classes para a rolinha diamante, onde apesar de termos aumentado a nomenclatura inserindo com as cores caudas brancas, arlequins e brancos, perdemos a cor brilhante (tanto na linha cinza quanto canela), que figurou entre as aves classificadas nos brasileiros de 2003, 2004 e 2005, por exemplo.

Bem, não me alongando muito, fico por aqui, mas abro o espaço para você amigo criador, que cria e tem conhecimento adquirido com esta magnífica espécie, que entre em contato comigo ou com a redação da revista para agregarmos ou reavaliarmos informações aqui expostas.


Um abraço e até a próxima!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário