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1 de mar de 2017

ARTIGO: A Bochecha dos Diamantes Mandarins

Olá amigos leitores da Revista Pássaros Exóticos! Juntos mais uma vez para falarmos de mais uma espécie de Passeriforme exótico, ou melhor dizendo, de uma característica de uma espécie: a cor das bochechas dos Diamantes Mandarins.

Existem duas espécies de mandarins no mundo, o Diamante Mandarim Australiano (Taeniopygia castanotis) e o Diamante Mandarim do Timor (Taeniopygia guttata). Ambas as espécies possuem uma coloração selvagem bem semelhante, a base de eumelanina negra e pheomelanina nas penas e carotenóide nos bicos e pés. Um detalhe interessante presente nas duas espécies é o dimorfismo sexual, onde os machos são diferentes das fêmeas, por possuírem um peito zebrado/listrado, a presença dos flancos pintados e da bochecha característica.

Pois bem, vamos falar das famosas bochechas dos mandarins. Como mencionado anteriormente, as bochechas estão presentes, em ambas as espécies, apenas nos machos. Elas foram fixadas provavelmente no ancestral em comum às duas espécies, como resultado da seleção sexual.

Apesar do tom meio marrom alaranjado, o pigmento que forma as bochechas dos mandarins não é o lipocromo, mas sim a pheomelanina, dando esta cor rufus à bochecha do animal. Logo, as mutações que atuam na bochecha dos mandarins serão aquelas com influência nas melaninas e não no lipocromo. Isto quer dizer que um mandarim macho cinza bico amarelo manterá a cor normal de suas bochechas.

Outro detalhe interessante, é que as mutações que podem alterar a bochecha dos mandarins também alterarão, na maioria das vezes, a cor rufus de seus flancos pheomelânicos salpicados de pontos brancos. E a presença destes flancos também está ligada às mesmas pressões sexuais que mantiveram as bochechas somente nos machos.

Vamos às mutações que afetam a cor das bochechas?

A primeira delas é o leucismo. Mas o que é leucismo? É uma mutação que afeta a disposição das melaninas nas penas e partes córneas das aves. Ela pode agir parcialmente (arlequim ou variegado) ou integralmente no corpo do animal, gerando um gradiente de fenótipos que vai desde o animal com poucas pintas brancas até ao animal totalmente leucístico ou seja, branco.

Nas bochechas, o leucismo pode criar falhas brancas ou até mesmo bloquear o depósito total da pheomelanina, deixando a ave sem a bochecha. Basta reparar que todo macho de mandarim branco não tem bochecha!

A segunda é a mutação dorso pálido, que é a primeira é diluir as melaninas nos exemplares, tanto a eumelanina quanto a pheomelanina. Basta reparar que as bochechas de um macho cinza dorso pálido é mais esmaecida do que as bochechas de um macho cinza padrão selvagem.

A terceira, também é uma mutação diluidora, com maior intensidade do que a anterior. Trata-se da mutação mascarado, que reduz tanto o depósito das melaninas, que deixa a ave com uma aparência quase branca, porém mantendo-se as listras e barras eumelânicas, a bochecha e os flancos esmaecidos. O animal fica tão diluído, que no passado esta cor era chamada de branco mascarado.

Nossa quarta mutação, ainda diluindo as melaninas, temos o pastel, chamada há um tempo de prateado. A mutação pastel é uma forte diluídora visual das melaninas. De caráter dominante (diferente das duas anteriores, que são sexo-ligadas recessivas), a mutação pastel dilui bem as eumelaninas, deixando a aves com o dorso e estrias/zebrados bem mais claros que a mutação dorso pálido, porém, não ao ponto de esbranquiçá-las como a mascarado.

Mas o lado interessante está na redução das pheomelaninas, onde temos as bochechas! A redução é tão forte que as bochechas dos machos ficam bem clarinhas, pálidos, lembrando uma cor creme. E a combinação da mutação pastel com a mutação dorso pálido, combina a diluição das melaninas a tal ponto que os machos ficam com as bochechas sem melaninas, isto é, os famosos bochechas brancas!

Recomenda-se a combinação das mutações pastel e dorso pálido a mais uma, que acrescenta eumelanina no desenho, como a face negra e ou peito negro. Tais combinações realçarão o contraste melânico com as bochechas brancas.

Em quinto, trataremos de uma mutação de caráter dominante, conhecida como bochecha. A mutação bochecha reduz drasticamente a eumelanina no corpo do animal, deixando uma presença pheomelânica no ventre e o dorso praticamente quase branco. Mas nosso tema são as bochechas! Esta mutação afetada a área do corpo onde ficam as bochechas da seguinte forma: depositando uma carga eumelânica nas bochechas, de maneira a deixar nas aves da linha cinza (eumelanina negra), uma bochecha cinza e nas aves da linha canela (eumelanina marrom), uma bochecha canela.

Um detalhe, as mutações que afetam os mandarins, colocando eumelanina em suas bochechas, agem de forma igual nas fêmeas. Como assim? As fêmeas apresentam desenho de bochecha como nos machos! Entretanto, as fêmeas não apresentam o listrado do peito e continuam com o depósito de lipocromo laranja (amarelo + vermelho) no bico, facilitando o dimorfismo sexual.

Entretanto, vale resultar que ainda existe uma pequena mistura de pheomelanina nas bochechas dos machos, basta você amigo reparar nas bordas das mesmas. Como no padrão selvagem não existe depósito de pheomelanina nas fêmeas, as bochechas das mesmas são mais limpas.

A sexta mutação que afeta a cor das bochechas dos mandarins é a que chamamos de bochecha negra. Tal mutação, de caráter autossômico recessivo, retira a pheomelanina do desenho dos flancos e da bochecha, preenchendo fortemente o espaço com a eumelanina. Com isto um mandarim cinza que sofre da mutação bochecha negra terá no seu fenótipo as suas bochechas e os seus flancos negros. 
E se combinarmos a mutação bochecha negra na linha dos canelas (eumelanina marrom), teremos aves com as bochechas e flancos marrons escuros, tipo chocolate amargo. Como mencionado na mutação anterior, as mutações que inserem eumelanina nas bochechas afetam as fêmeas, deixando-as com bochechas também.

A mutação bochecha negra pode se combinar com outras mutações, como dorso pálido, mascarado, face negra, etc.

A sétima mutação não existe ainda na nomenclatura da FOB/OBJO, trata-se da mutação eumo. Esta mutação acrescenta uma carga melânica nas penas das aves, deixando-as mais escuras. Em relação à bochecha, a mesma desaparece (não há depósito pheomelânico,ou o mesmo é extremamente fraco), deixando a área livre para ser preenchida com a envoltura eumelânica (cor cinza do corpo).

A mutação eumo pode ser combinada com outras, tais como face negra e peito negro, deixando o animal muito mais escuro/preto. Ou até mesmo combinado com mutações diluidoras como dorso pálido ou mascarado, dando um visual diferente ao se misturar uma mutação que carrega em melanina com outras que a dilui.

Bem amigo criador e amante desta fabulosa espécie de Estrildídeo (uma das mais criadas pelo mundo!), era isto que eu tinha a dizer sobre as mutações que afetam as cores das bochechas dos mandarins e espero que tenha sido proveitosa a leitura. Encontramos-nos na próxima edição da Revista Pássaros Exóticos.


Um abraço e até a próxima!!!

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