Sejam todos muito bem vindos!

Sejam todos muito bem vindos!

Criadouro de Aves Domésticas Ornamentais

Olá!!!

Seja bem-vindo ao nosso BLOG. Aqui, você encontrará dados e informações a respeito das aves que criamos, além de outros assuntos inerentes ao mundo da Ornitologia, ciência que estuda as nossas amadas aves.



1 de mar de 2017

ARTIGO: O Diamante Bicolor

Artigo publicado na Revista Pássaros Exóticos

A espécie

Olá amigos leitores da Revista Pássaros Exóticos! Juntos mais uma vez para falarmos de mais uma espécie de Passeriforme exótico: o Diamante Bicolor. Esta ave é conhecida no mundo inteiro como Diamante Papagaio (ou Parrot Finch, em inglês) em função das suas cores (verde e vermelha) estarem em posições que lembram as cores do psitacídeo. Seu próprio nome científico faz uma referência aos psitacídeos: Erythrura psittacea.

Ave pequena, com aproximadamente 12 a 13 cm de comprimento, possuindo no corpo a presença de eumelanina negra e dois lipocromos (amarelo e vermelho). O lipocromo vermelho está presente somente na cabeça, uropígio e cauda, sem a interferência melânica. Já o lipocromo amarelo, encontra-se pelo corpo e asas, onde em conjunto com o efeito de Tyndall da envoltura melânica (reflexo azulado) temos a cor verde característica da espécie.

Pertencente a mesma família das principais espécies exóticas criadas no Brasil, Família Estrildidae, o bicolor divide o gênero Erythrura com outras espécies que também são chamados lá fora de diamantes papagaios, como por exemplo, o Diamante Tricolor (Erythrura trichroa), o Diamante Quadricolor (Erythrura prasina) e também do já conhecido de todos Diamante de Gould (Erythrura gouldiae).

Espécie endêmica da Ilha Nova Caledônia, que se localiza entre a Nova Zelândia e a Austrália, possui o status de conservação pouco preocupante e habita arbustos, campos abertos, áreas cultivadas e manguezais da ilha. Talvez pelo seu endemismo (espécies endêmicas são mais vulneráveis à extinção), o Erythrura psittacea esteja no Anexo B da Instrução Normativa 18/11 do IBAMA.

Alimentação

A alimentação se constitui a mesma dos demais granívoros da família, como os mandarins, goulds, manons etc. Complementa-se a alimentação com uma boa farinhada e ração extrusada, ao gosto do criador. Durante a época de criação, deve-se oferecer também proteína animal através das larvas de tenébrio.

Reprodução

Criadas em cativeiro há bastante tempo, são aves que se reproduzem relativamente bem, podendo-se criá-los em colônia mista (espécies diferentes) ou em casais individuais, cada qual em sua gaiola criadeira, tipo argentina (a mesma utilizada para a criação de canários), utilizando-se o famoso ninho caixinha/cubo de aproximadamente 15 cm de lado.

O dimorfismo sexual na espécie é bastante difícil de observar, onde os machos possuem as cores mais brilhantes do que as fêmeas. Sugiro, além da eventual sexagem em laboratório, a observação da característica de cantar e cortejar dos machos, inexistentes nas fêmeas.

Em época de reprodução, tornam-se territorialistas, devendo o criador se atentar a esta situação, como gaiolas coladas umas as outras, oferecendo a oportunidade dos machos se atracarem pela grade. Os machos também não costumam ser tão cavalheiros com suas fêmeas, podendo muitas das vezes depená-las ou até mesmo matá-las. Portanto, o criador deverá ficar atento a oferecer com frequência materiais para confecção do ninho, onde deixará o macho ocupado, enquanto a fêmea não “pede” cópula.

Os bicolores costumam por de três a seis ovos, que por volta dos 14 dias, eclodirão. Entretanto, costumam ser péssimos pais, como a maioria das espécies de estrildídeos criadas em cativeiro, devendo seus ovos ser repassados para nossos famosos manons!

Seus filhotes possuem uma característica marcante nas espécies do gênero Erythrura, que são os pontos brilhosos em volta de sua boca, assim como nos diamantes de goulds. Tais pontos brilhosos são um indicativo para que os pais se orientem durante a alimentação de seus filhos, sugerindo que na natureza, tais aves fazem ninhos extremamente fechados e escuros, onde a pouquíssima iluminação que entre sirva apenas para brilhar tais pontinhos nas bocas dos ninhegos.

Os filhotes deverão ser anilhados com sete dias, com anilhas de 2,5 mm, segundo a OBJO e com aproximadamente 45 dias, os mesmos já poderão ser separados dos pais (adotivos ou não) e transferidos para voadeiras, onde ganharão músculos e aguardarão a muda de virada de “pardo” (na verdade verdes) para a cor adulta (verde e vermelho).

Deve-se atentar para alguns fatores na criação dos Bicolores, como por exemplo, no material fornecido para confecção dos ninhos, pois os machos são muitos afoitos nesta atividade e fiapos longos poderão ocasionar acidentes, como enforcamento da ave.

Outro detalhe é o uso do ninho tipo caixa para as amas-secas, pois os filhotes de bicolores são muito assustados e ninhos tipo taça levarão aos mesmos a deixarem os ninhos precocemente, e como são muito miúdos, poderão escapar pela malha das gaiolas, levando o filhote a óbito por frio ou inanição. Já vi os dois fatos mencionados anteriormente acontecer em um criadouro de um amigo, que cria esta espécie.

Mutações

Bem, como os amigos já puderam observar na foto do exemplar selvagem, esta espécie possui em suas penas eumelanina negra e os lipocromos amarelo e vermelho, portanto, as mutações existentes atuaram em cima destes itens. Existem três mutações: verde mar, arlequim e lutino.

A mutação verde mar atua somente sobre os lipocromos, diluindo a concentração dos mesmos. Algo semelhante às mutações turquesas nos psitacídeos e marfim nos canários de cor. Como a diluição dos lipocromos não foi ao máximo (total eliminação), a ave apresenta o lipocromo vermelho em tom laranjado e o amarelo em tom marfim, que junto ao efeito de Tyndall da eumelanina negra, torna a cor verde-mar, ou azul esverdeado, visível.

Existem alguns relatos, ou lendas, que já existe o Diamante Bicolor realmente azul, isto é, com total eliminação dos lipocromos. Nunca vi uma fotografia sequer, mas se esta ave realmente existe, deve ser um pássaro com cabeça, uropígio e cauda brancos e corpo azul.

Já a mutação arlequim é a atuação do leucismo parcial, onde em zonas aleatórias do corpo não ocorre a deposição da eumelanina, fazendo com que o corpo originalmente verde, fique manchado de amarelo. Existem exemplares cujas áreas melânicas são tão escassas que a ave apresenta o corpo praticamente amarelo. Pode-se combinar com a mutação verde-mar, obtendo o arlequim verde-mar.

O efeito da mutação lutino já é conhecido por criadores de inúmeras espécies de aves que possuem tal mutação. É a eliminação total da melanina no corpo do animal, permanecendo intocados os lipocromos amarelo e vermelho. A origem da mutação lutino nos Erythrura psittacea é controversa, podendo ter sido introduzida na espécie por hibridação com o Diamante Tricolor (Erythrua trichroa).

Segundo a Ordem Brasileira de Juízes de Ornitologia (OBJO) em seu anuário de 2015 (até o momento da entrega deste artigo à edição da revista, eu ainda não havia recebido o anuário 2016), insere os diamantes bicolores no segmento exóticos estrangeiros, grupo 7 (Exóticos Raros), subgrupo 07.01 Erythruras, onde estão todas as espécies de Erythruras que concorrem em nossos campeonatos, com excessão dos Diamantes de Gould, que a FOB ainda chama de Chloebia gouldiae. A tabela a seguir mostra somente as classes destinadas à espécie foco deste artigo, Erythrura psittacea.

Código
Cor
Genética
EX 070101
Bicolor
(Erythrura psittacea)
Forma selvagem
EX 070102
Bicolor Face Laranja
(verde mar)
Sexo-ligado recessivo
EX 070103
Bicolor Arlequim
(todos)
Autossômico Dominante

EX 070104

Bicolor Lutino

Sexo-ligado recessivo

Considerações Finais

Os Diamantes Bicolores se fizeram presentes nos últimos três Campeonatos Brasileiros de Ornitologia da FOB, mas sempre em baixo contingente. O Gráfico 01 nos mostra que nos três anos, sempre tiveram os cincos classificados na classe Bicolor Ancestral e uma média de 1,33 indivíduos de bicolor verde-mar classificado por ano. Números muito baixos comparados a outros exóticos como mandarins, goulds e manons, por exemplo. E nenhum quarteto foi apresentado em nenhum dos três anos de competição!

Estes dados mostram que há espaço de sobra para que mais criadores passem a criar esta linda espécie e que leve suas aves para concorrer nos próximos campeonatos brasileiros.

Gráfico 01 . Número de conjuntos (individual e quarteto) de bicolores classificados nos Campeonatos Brasileiros de Ornitologia de 2013 a 2015.


Bem amigos, era isto que queríamos escrever sobre esta exótica espécie, chamada de diamante bicolor ou diamante papagaio. Desejo aos amigos que já criam um enorme sucesso em suas criações e àqueles que desejam criá-la, que vão em frente e iniciem seus plantéis com indivíduos de criadores idôneos, com aves anilhadas, conforme as IN 03 e 18.


Um abraço e até a próxima!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário